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SARS-CoV-2 e o papel da transmissão orofecal: resumo das evidências

Jefferson T, Spencer EA, Brassey J, Heneghan C. In: Analysis of the Transmission Dynamics of COVID-19: An Open Evidence Review. Published Online July 17, 2020.
Centre for Evidence-Based Medicine, University of Oxford.
Várias evidências observacionais e mecanísticas relatadas nesta coletanea de evidências, apoiam a hipótese de que o SARS-CoV-2 pode infectar e ser eliminado do trato gastrointestinal humano.
Conduta
A conduta de ação deve enfatizar a vigilância de rotina dos alimentos, águas residuais e efluentes. A importância de medidas estritas de higiene pessoal, desinfecção com cloro de superfícies em locais com atividade presumida ou conhecida de SARS CoV-2 deve fazer parte de políticas públicas e campanhas de educação. Análise de fezes deve ser realizada na alta hospitalar e/ou nas superficies das instalações de detenção bem antes da data da alta e a alta deve ser condicionada à cessação da excreção viral fecal ou quarentena estrita e medidas de higiene pessoal naqueles que ainda excretam partículas virais pelas fezes, independentemente da excreção respiratória.
Investigação
Cada surto deve ser investigado e um relatório deve ser disponibilizado ao público rapidamente. O teste de fezes deve ser realizado em todas as pessoas envolvidas no surto. Como há evidências coerentes de ingestão, penetração de enterócitos e excreção de SARs CoV-2 vivos em possível analogia com SARs e agentes MERS, acreditamos que esta hipótese de trabalho deve ser testada por meio de estudos de caso-controle durante a investigação de surtos seguindo um protocolo definido .Os casos seriam casos de Covid-19 (com um subconjunto por presença de sintomas e gravidade) excretando vírions fecalmente ou não (casos e contatos) e os controles seriam pares saudáveis.A exposição a materiais potencialmente contaminados com fezes e as medidas de proteção tomadas seriam obtidas na entrevista. Para minimizar o viés de memória e apuração, os entrevistadores devem estar cegos para o status da excreção fecal e a entrevista deve ocorrer o mais rápido possível após o evento.A viabilidade dos isolados fecais e sua possível patogenicidade devem ser testadas em surtos, independentemente da presença de sintomas ou positividade do swab nasal.
A evidência atual sugere que a SARS-CoV-2 é transmitida principalmente por gotículas respiratórias e vias de contato e pode ocorrer entre indivíduos infectados pré-sintomáticos ou sintomáticos e outros em contato próximo.Foi demonstrado que o SARS-CoV-2 contamina e sobrevive em certas superfícies, mas, atualmente, nenhum relatório demonstrou diretamente a transmissão de fômites para humanos. O SARS-CoV-2 também foi detectado nas fezes de alguns pacientes, os quais, em conjunto com a transmissão de fômites, sugerem a possibilidade de o SARS-CoV-2 ser transmitido por via orofecal.Via Orofecal descreve uma rota de transmissão onde o vírus em partículas fecais pode passar de uma pessoa para a boca de outra. As principais causas incluem a falta de saneamento adequado e más práticas de higiene. A contaminação fecal dos alimentos é outra forma de transmissão orofecal.Outros vírus de RNA de fita simples, como os norovírus, são transmitidos principalmente pela via orofecal, seja pelo consumo de alimentos ou água contaminados, seja transmitido de pessoa para pessoa diretamente.
Nesta versão, resumimos 36 estudos examinando o papel potencial da transmissão orofecal da SARS-CoV-2 e incluímos evidências mecanísticas e observacionais de outros 22 estudos. Em geral, as evidências são de qualidade baixa a moderada. Fornecemos um resumo narrativo das evidências por meio de um link no final de cada título na coluna da esquerda. O artigo original está acessível através de links no resumo.
Embora a maioria dos coronavírus humanos seja considerada como não transmissível pelas fezes, este não é o caso em animais. O coronavírus felino, por exemplo, é normalmente eliminado nas fezes de gatos saudáveis ​​e transmitido pela via orofecal a outros gatos.Os porcos também são infectados pelo coronavírus gastroenterite transmissível pela via fecal-oral. O coronavírus de morcego infecta os tratos gastrointestinal e respiratório de morcegos aparentemente sem causar doença.A transmissão após a exposição às fezes de camelo também foi considerada biologicamente plausível, embora nenhuma evidência indique se isso é possível.
Há, entretanto, evidências de que o SARS-CoV-2 pode sobreviver a condições adversas no sistema gastrointestinal. Foi identificada em amostras endoscópicas do esôfago, estômago, duodeno e reto de pacientes com COVID-19; quantidades substanciais de RNA SARS-CoV-2 foram detectadas de forma consistente em amostras de fezes. [DIng S 2020] Várias evidências observacionais e mecanísticas apresentadas ao longo deste resumo de evidências apóiam a hipótese de que o SARS-CoV-2 pode infectar e ser eliminado do trato gastrointestinal humano.
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Meu comentário:
" Em um grupo de 206 pacientes hospitalizados com COVID-19 leve, os sintomas digestivos estavam presentes em mais da metade: 48 apresentaram apenas um sintoma digestivo, 69 com sintomas digestivos e respiratórios. Pacientes com sintomas digestivos tiveram uma duração mais longa entre o início dos sintomas e a eliminação viral e eram mais propensos a ser positivos para o vírus fecal (73% vs 14%, P = 0,033) do que aqueles com sintomas respiratórios.
Uma análise de 626 esfregaços de superfície no Zhongnan Medical Center em Wuhan entre 7 de fevereiro e 27 de fevereiro de 2020 revelou que 14% das 626 amostras de superfície eram positivas para RNA viral. Um terço (32%) das zonas contaminadas foram encontradas na unidade de terapia intensiva, 28% na enfermaria obstétrica especializada para gestantes com COVID-19 e 20% na enfermaria para pacientes com COVID-19. As superfícies mais contaminadas foram impressoras de autoatendimento (20%), desktop / teclado (17%) e maçanetas (16%). Dispensadores de desinfetante para as mãos (20%) e luvas (15%) foram os equipamentos de proteção mais contaminados.
De 24 de janeiro a 4 de fevereiro, três pacientes infectados em salas de isolamento de infecções transmitidas pelo ar com antessalas e banheiros tiveram amostras ambientais de superfície coletadas em 26 locais. Em dois quartos de pacientes sintomáticos, após a limpeza de rotina todas as amostras foram negativas. No quarto do terceiro paciente, as amostras foram coletadas antes da limpeza de rotina e foram consideradas positivas em 13 de 15 (87%) locais (incluindo ventiladores de saída de ar) e 3 de 5 locais de banheiro (vaso sanitário, pia e maçaneta) positivo. O paciente C tinha envolvimento do trato respiratório superior e duas amostras de fezes positivas para SARS-CoV-2 na RT-PCR, apesar de não ter diarreia.
Um estudo em fevereiro de 2020, o hospital de doenças infecciosas de Nanjing, China, amostrou aleatoriamente os quartos de isolamento de 3 leitos do hospital de doenças infecciosas designado COVID-19, em Nanjing, China. A amostragem ambiental também foi realizada em quatro salas de isolamento, um posto de enfermagem, um corredor, um sistema de ar condicionado e outros espaços na zona de doenças infecciosas transmitidas pelo ar no quinto andar do hospital. Os procedimentos de amostragem são descritos com precisão e o responsavel por coletar amostras de ar precisou ser colocado em quarentena duas vezes, apesar de usar EPI completo. O fluxo de ar também foi avaliado entre o 4º e o 5º andar do prédio usando um traçador de fumaça."
Traços virais em antessalas e banheiros tiveram amostras ambientais de superfície encontradas em ventiladores de saída de ar, vaso sanitário, pias e maçanetas.
Dispensers teclados de computador, banheiros assentos sanitários,e maçanetas de portas e dutos de exaustão de ar foram os principais hot-spots com particulas virais viáveis
O vírus vivo estava contido em 5% das amostras de fezes assintomáticas, sugerindo que a transmissão orofecal é possível. Os outros 95% testaram positivo para o vírus em amostras de fezes. Digno de nota, vários testadores designados para realizar testes de qualidade do ar daqueles com vírus não vivo contraíram COVID apesar de usarem EPI completo. O vírus foi transmitido pelo ar e infectou hospedeiros vestindo trajes tychem, respiradores N95, luvas e outros EPIs.
A transmissão do vírus pelas vias orofecal e respiratória pode ajudar a explicar a rápida disseminação da doença.
submitted by Aryell_Emrys to coronabr [link] [comments]

Campanha contra o Nónio

Em Março foi colocado aqui no portugal sobre os problemas da plataforma Nónio - [ver tópico]
Para quem não está ocorrente, 6 grupos de comunicação social aliaram-se e criaram uma plataforma com login único, Nónio, para "oferecer conteúdos mais personalizados com mais segurança e qualidade". Para que tal possa acontecer, os websites aderentes necessitam de recolher e armazenar um vasto número de dados de cada leitor. Neste período de transição, os websites aderentes estão a pedir a cada leitor para se registar nesta plataforma para começar a coleta de dados.
Ao fazer o registo, a plataforma nónio terá acesso a um conjunto enorme de dados pessoais. O registo pode ser feito usando credenciais de serviços externos ou o usual email. Caso escolha a opção rede social, terá de partilhar os seguintes dados: nome, fotografia de perfil, endereço de e-mail, data de nascimento e local, ou caso escolha opção e-mail, terá de enviar o seu nome, sexo e data de nascimento. O processo de adesão é muito simples porque a plataforma precisa de num curto espaço de tempo ter um grande número de leitores para que em inícios de 2018 tenha força suficiente para terminar o período de transição e obrigar a todos a aderir ao sistema, como está planeado. Ou seja, num futuro próximo, caso o Nónio seja bem sucedido, só poderá ler artigos depois de efetuado o registo.
O leitor NÃO DEVE registar-se no Nónio, por dois grandes motivos: 1) violação de privacidade e 2) efeito "filtros-bolha".

Violação de privacidade

Uma leitura da política de privacidade do Nónio revela que esta plataforma viola a sua privacidade porque recolhe através de cookies ou outras técnicas de fingerprinting os seguintes dados: o seu endereço IP de cada sessão, data e hora de acesso ao artigo, versão do navegador web e sistema operativo utilizado, resolução de ecrã, dados referentes à localização, pontos de acesso Wifi, assinatura canvas (que o website Nónio utiliza), entre outros. Atualmente é possível unificar essas assinaturas/fingerprints, mesmo utilizadando navegadores web diferentes em diferentes plataformas. Deixo aqui uma demo com os alguns dados que são possíveis obter.
A plataforma irá coletar e armazenar todos os artigos que leu dos websites aderentes. Segundo declarado na página oficial:
"Usar a internet e os seus serviços, implica, necessariamente, a transmissão de informação a nível internacional. Assim, ao relacionar-se connosco e ao consentir a comunicação de dados a terceiros, está a reconhecer que sabe e a consentir no tratamento de dados nesta escala" 
Ou seja, todos estes dados podem ser acedidos por terceiros. Mesmo que o leitor deseje eliminar os seus dados, estes apenas serão apagados ou anonimizados um ano após a desativação do registo pelo utilizador. No mundo do Big Data, não existem dados anonimizados, ler artigo onde são dados exemplos de de-anonimização de base de dados.
A partir da análise desses dados é possível inferir por exemplo: afiliação política, religião, poder de compra, estado emocional, padrões de sono. Para mais detalhes, recomendo consultar o seguinte relatório Corporate surveilance e o working paper How Companies Use Personal Data Against People.
Relembro que estes websites já violam a privacidade ao disponibilizar trackers de outras companhias como o Facebook, Google e alguns data Brokers como a BlueKai,DataLogix,etc...). Visitando alguns do websites aderentes com um navegador Firefox e apenas com a extensão UBlock Scope, foram registados os seguintes resultados. Para validar os resultados foram utilizadas as ferramentas Webbkoll e PrivacyScore.
Website Pedidos a terceiros(*) Cookies primárias Cookies de terceiros
publico.pt 105/39 28 22
expresso.sapo.pt 177/40 15 30
rr.sapo.pt 50/25 20 18
blitz.pt 129/40 14 28
visao.pt 383/39 14 28
expressoemprego.pt 78/18 8 14
exameinformatica.pt 102/35 14 28
cmjornal.pt 227/79 29 74
record.pt 288/106 29 130
jornaldenegocios.pt 210/78 19 90
sabado.pt 206/71 20 64
tsf.pt 199/73 29 52
jn.pt 251/85 27 56
dn.pt 202/71 26 47
ojogo.pt 313/92 32 71
dinheirovivo.pt 164/69 22 53
radiocomercial.iol.pt 67/28 8 8
maisfutebol.iol.pt 136/43 11 14
(*) Total número de pedidos a domínios externos/número de domínios únicos
Para mitigar o web tracking instala no teu navegor web a extensão uBlock Origin (e o uMatrix para utilizadores avançados), com fim a bloquear o acesso e execução desses trackers. Adiciona esta lista de regras para anular o tracking dos websites aderentes, para o formato uBlock Orgin/uMatrix e para o Pi-hole/Dnsmasq .

Efeito "filtros-bolha"/echo chamber

Recolhemos informações sobre si com o seu consentimento explícito para lhe podermos prestar um serviço personalizado na apresentação de notícias consoante as suas preferências, o que constitui o núcleo dos nossos serviços.
Quanto mais o leitor interagir com esta plataforma, mais dados esta recebe sobre si, e por conseguinte, terá um perfil de gostos de leitura cada vez mais detalhado. Como o objetivo/modelo de negócio da plataforma é que esteja o maior tempo possível na plataforma, mais tempo de exposição há publicidade, serão recomendardos cada vez mais e mais direcionados apenas artigos de um certo ponto de vista. O leitor com o desenrolar do tempo ficará dentro de uma "echo chamber". Não é exposto a informação contrária às suas preferências que poderia desafiar ou ampliar a sua visão do mundo. Este fenómeno é designado por Eli Pariser de "filtros-bolha". É recomendado a visualização da sua Ted Talk Eli Pariser: Tenha cuidado com os "filtros-bolha" online

Efeitos secundários

Além dos dois problemas referidos, outros problemas não menos importantes devem ser explicados. A partir da análise desses dados, é possível inferir os gostos da população portuguesa, e com fim a maximizar os lucros, mais artigos de baixo teor jornalísticos (artigos clickbait geram mais tráfego/receita) serão escritos, levando à decadência desta nobre profissão. Por consequência, uma população com menos acesso à informação de qualidade, não toma decisões corretas, levando à decadência gradual de regimes democráticos.
Em resumo e como refere Zeynep Tufekci na seu recente Ted Talk, Estamos a criar uma distopia só para fazer as pessoas clicarem em anúncios
Lista de website aderentes por cada grupo:

O que muda

Com efeitos imediatos irá ser colocado em todos os futuros tópicos provenientes de websites aderentes a esta plataforma um comentário a alertar os utilizadores sobre esta plataforma.
No entanto gostaríamos de saber a vossa opinião sobre o assunto e sugestões para mitigar o uso destas plataformas sem o conhecimento prévio do utilizador.
submitted by asantos3 to portugal [link] [comments]

Sérgio Cabral condenado: os gritos das ruas e a derrocada do “ditador”

Sérgio Cabral condenado: os gritos das ruas e a derrocada do “ditador”
by Ruben Berta via The Intercept
URL: http://ift.tt/2t2d23R
A sentença do juiz federal Sérgio Moro que condenou o ex-governador do Rio Sérgio Cabral a 14 anos e dois meses de prisão por cobrança de propina de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) tem trechos duros. No meio das 117 páginas, há expressões como “ganância desmedida” ou frases como “não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio”. É bonito. Mas é preciso lembrar que, num passado não tão distante assim, enquanto o hoje presidiário ainda vestia os caríssimos ternos comprados com dinheiro ilícito, vozes que ecoavam numa das esquinas mais nobres do Leblon foram bem mais diretas.
“Cabral é ditador!”, gritou insistentemente um grupo, formado basicamente por jovens sem ligação partidária, que fincou a “Ocupa Cabral” na frente do edifício do então governador, na quadra da praia carioca. A primeira vez em que o movimento esteve ali foi no fim de julho de 2012, quando permaneceu por pouco menos de duas semanas. “Tá puto com o governo?” era o sugestivo título de um dos vídeos no YouTube que chamavam para a manifestação.
Protesto na frente do edifício do então governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, em 2013.
Foto: AFP/Getty Images
Pode parecer longe demais, mas é preciso, sim, voltar a 2012, 2013 para que sejam dados os devidos créditos às ruas. Um Cabral preso, condenado no processo que corre em Curitiba e réu em outras nove ações no Rio é, sem dúvida, uma vitória da Justiça. Mas há que se dar crédito às vozes, que, em muitos momentos, não passaram das poucas dezenas. Elas incomodaram.
É claro que seria ingênuo atribuir somente a um grupo de jovens a queda daquele que foi apelidado de ditador. Mas a repetição do refrão teve claramente seu mérito, ao olharmos para o contexto de navegação tranquila que nosso Cabral contemporâneo teve durante boa parte do seu governo.
Desde que começou seu primeiro mandato, em janeiro de 2007, o ex-governador foi visto com olhos favoráveis por aqueles que regiam os rumos da imprensa local. A chegada de Cabral representava o fim de um período de relação turbulenta com o Executivo, depois de quase oito anos nas mãos do casal Rosinha e Anthony Garotinho. Seria uma nova era de “progresso” após um governo populista e rodeado por denúncias de corrupção.
No início, praticamente tudo o que se ouvia ou que se lia era sobre esse novo Rio próspero. Havia um encantamento com o projeto das UPPs. No fim de 2010, a ocupação do Complexo do Alemão e a transmissão ao vivo de dezenas de bandidos em fuga eram mais um marco de um estado de sucesso. Na saúde, as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) surgiram como a solução revolucionária para desafogar os hospitais e melhorar a qualidade do serviço oferecido à população.
Então governador Sérgio Cabral ao lado de secretários estaduais e do empresário Fernando Cavendish em Paris, em 2009.
Foto: Divulgação/Blog do Garotinho
Mas os primeiros sinais mais evidentes de que nem tudo era o que parecia ser começaram a surgir em 2011. A trágica queda de um helicóptero, em junho daquele ano, que culminou com a morte de Mariana Noleto, namorada de Marco Antônio Cabral, filho do então governador; de Jordana Kfuri, mulher do então presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish; e de outras cinco pessoas abriu o caminho para a revelação de relações pessoais entre o empreiteiro e o chefe do Executivo fluminense. A aeronave levaria os passageiros à Bahia para o aniversário de Cavendish. Logo na sequência, o governo admitiu que Cabral também participaria da festa do dono da Delta. Para isso, viajara antes da tragédia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Cavendish. Naquele momento, a própria imprensa local parecia cumprir seu papel ao mostrar os milionários contratos da empreiteira com o estado. Na balança entre as denúncias e o “progresso” do Rio, porém, o último falava mais alto. Não à toa, Eike, por exemplo, receberia, no ano seguinte, o prêmio “Faz Diferença”, do jornal “O Globo”, na categoria Economia, por seu desempenho em 2011.
Em maio de 2012, semanas antes da primeira ocupação em frente ao seu prédio no Leblon, o ex-governador vislumbrava a possibilidade de uma CPI que investigava o bicheiro Carlinhos Cachoeira – atualmente em prisão domiciliar – atingi-lo. Mas, ao ser questionado por um repórter sobre o medo de uma possível quebra de sigilo da Delta, acusada de ligação com Cachoeira, Cabral mostrou a arrogância de quem parecia ter a certeza de ser intocável: “Acho até um desrespeito da sua parte me perguntar isso (…) Essas ilações são de uma irresponsabilidade completa, um desrespeito completo com a minha pessoa”.
Secretários estaduais de Sérgio Cabral ao lado de Fernando Cavendish, em Paris, em 2009.
Foto: Divulgação/Blog do Garotinho
O mesmo ano ainda teve a incômoda divulgação, por parte do ex-governador Anthony Garotinho, de fotos da farra numa viagem de Cabral à Europa com outros secretários, como o da Saúde, Sérgio Côrtes, e o de Governo, Wilson Carlos. Foi a chamada “gangue dos guardanapos”. Nada, porém, era suficiente para derrubar a pompa do alcaide. No fim de 2012, sob protestos da oposição, ele sequer foi citado no relatório final da CPI do Cachoeira. Foi em 2013 que os gritos começaram a ecoar mais alto no Leblon. Na carona das manifestações multifacetadas de junho, o “Ocupa Cabral” ressurgiu. Se tinha uma relação de distância com a imprensa local, acabou ganhando o mundo, com reportagens de correspondentes estrangeiros que queriam saber mais sobre aquele protesto, durante a realização da Copa das Confederações.
Com o fim do torneio e os olhos do resto do mundo já mais distantes, a conhecida truculência policial fez o silêncio voltar ao bairro nobre da Zona Sul carioca. Até as luzes da orla foram apagadas para dificultar o registro da retirada dos manifestantes. Mas a ocupação retornou novamente. E com o reforço de um grito tão incômodo quanto o de “ditador”.
A terceira e última etapa do “Ocupa Cabral” foi a mais longa. Durou de 28 de julho a 6 de setembro de 2013. E, no início de agosto, chegou a ganhar o reforço de moradores da Rocinha. “Cabral, bandido, cadê o Amarildo?” era o refrão que iria atormentar definitivamente o sono do governador. O desaparecimento do pedreiro, morador da comunidade, cujo corpo nunca foi encontrado, num território teoricamente “pacificado”, foi um baque que ressoou sem parar. No ano passado, 13 policiais militares foram condenados no processo do caso.
Quando saíram do Leblon, os últimos manifestantes deixaram um governador já bem mais desgastado. Ainda que denúncias, como a de uso de helicópteros do estado para fins particulares, tivessem sido engavetadas pelo Ministério Público do Rio, Cabral foi aos poucos rumando para os bastidores.
“Ocupa Cabral” atormentava o sono do então governador do Rio de Janeiro, em 2013.
AFP/Getty Images
Em abril de 2014, com a popularidade em baixa, ele renunciou ao cargo para dar lugar ao vice, Luiz Fernando Pezão, que ainda conseguiria vencer as eleições daquele ano para lidar com um estado que caminhava definitivamente para o fundo do poço.
O fim da história – ou ao menos o começo do fim – de Cabral todos sabem. Depois do período de ocaso, o ex-governador voltou às manchetes após ser preso, em novembro do ano passado, durante a Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio. Desde então, não param as notícias de mais e mais milhões que caíram no colo do ex-chefe do Executivo fluminense.
Este ano, sobrou até para o empresário Eike Batista, aquele que “fez a diferença” no passado. E o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes foi outro a parar atrás das grades por acusações de desvios de verbas em seu governo.
Falar de Cabral agora pode ser, como diz a gíria, “chutar um cachorro morto”. Com variações, a sentença dada por Sérgio Moro nesta terça-feira (13) possivelmente se repetirá nos processos que correm no Rio, a cargo do juiz Marcelo Brêtas.
Então, fui buscar palavras de quem, lá atrás, insistiu em gritar contra um governador que parecia inatingível. Recebi duas respostas distintas sobre o que sentiam ao participarem do “Ocupa Cabral”:
Ou seja, fosse o grito mais ou menos convicto de uma real consequência, há que se registrar que ele ecoou.
E, quem sabe, o “Cabral é ditador” do passado não possa se transformar no “Fora, Temer” do futuro.

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