História do Grupo Binary.com

Totalmente por acaso, descobri um novo nível de burrice do brasileiro de 2020

Tava tocando uma música do Kid Abelha aqui, e ouvi meus pais comentando que a Paula Toller não envelhece. Fui googlear pra ver a cara dela, e vi mó treta que ela é 17 e o caralho.
"Pô, que pena", pensei. Aí quando fui ver, tive que ler 10 vezes pra ver se não estava lendo errado.
Eis a questão: ela processou o PT por usar uma música dela na campanha do Haddad em 2018. Como o brasileiro em 2020 só sabe pensar de forma completamente binária, "processou PT = APOIA BOLSONARO"
Googleie "paula toller bolsonaro", e fique abismado com o tanto de gente CRAVANDO que a mulher apoia seu capetão, exclusivamente por causa disso
Se tiver algo nessa história que deixei passar, me elucidem aí, que não é possível que galera chegou nessa conclusão só com isso.
Cancelem o Brasil, pelo amor de Deus.
EDIT: e só pra esclarecer, não to dizendo que ela apoia nem que não apoia. Eu, e ninguém mais na real, sabe o posicionamento político dela. Vai saber.
Minha indignação é com essa conclusão baseada num fato completamente nada a ver.
submitted by artur-fernand to brasil [link] [comments]

Falsos positivos: Um perigo para a política portuguesa

Ter um conhecimento de estatística é decisivo na compreensão do mundo. Permite-nos inferir a probabilidade de um evento, ter confiança em fazer certas afirmações e comprovar, ou desmentir, concepções sobre a realidade em que vivemos.
Ao longo deste texto irei ilustrar os conceitos de falso positivo e falso negativo e a sua relação com a política nacional. Principalmente o efeito de apelidar alguém de fascista, racista, comuna, etc. e cometer um falso positivo (quando não o são) ou não apelidar e cometer um falso negativo (quando o são).
Previsão binária: Falso positivo e falso negativo
Se ao prever uma variável contínua (como a % de votos de um partido) é possível apresentar um intervalo de valores, ao prever uma variável discreta apenas podemos dar um valor. Imaginemos que queremos inferir se alguém é proprietário de automóvel, podemos perguntar-lhe o seu rendimento, trabalho, entre outros factores, mas no final teremos sempre de dizer sim ou não.
Isto significa que caso o modelo não seja perfeito (que não é) iremos fazer erros. No exemplo do automóvel seria dizer que alguém o tem, quando não o tem (um falso positivo) ou dizer que não o tem, quando o tem (um falso negativo).
A proporção de falsos negativos e positivos é algo que o modelador pode controlar dependendo dos seus objectivos.
Imaginemos uma operadora telefónica que pretende dar uma promoção a clientes que estivessem em risco de mudar para outra, com base no consumo do último mês de cada cliente. Se a empresa todos os meses perdesse 10% de clientes e desse a promoção a todos teria 90% de falsos positivos mas também conseguiu atingir todos os 10% de clientes. Se fosse mais restrita e só desse aos clientes cujo consumo caiu para menos de metade, se calhar apenas teria 30% falsos positivos mas também só atingiria 5% dos 10% que está em risco.
A escolha da empresa vai depender dos custos e benefícios da promoção. Se recuperar um cliente em risco tiver um alto valor e o desconto for baixo a empresa não se importará de errar mais vezes (ter mais falsos positivos) para conseguir ter o maior número de verdadeiros positivos.
A evolução da aceitação do falso positivo na política portuguesa
Quando alguém apelida outrem de fascista (ou outro chavão semelhante) fá-lo por dois motivos: 1) para silenciar a voz do outro, independentemente dele ser ou não; ou 2) uma ou mais características da outra pessoa levantou a suspeita que seja verdadeiramente fascista.
O grupo de pessoas que o faz pelo primeiro motivo é, regra geral, bem diferente do grupo que o faz pelo segundo. Grupo A - Quem usa um chavão para silenciar é usualmente um extremista ideológico cujo objectivo não é o diálogo e a busca da verdade, mas apenas avançar a sua ideologia. Este grupo é pequeno na sociedade mas muito vocal, aparentando ter mais peso do que tem. Grupo B - Por outro lado, quem apelida outrem de um chavão pelo segundo motivo não o faz com o intuito de atacar ou silenciar a outra pessoa para promover as suas ideias. Simplesmente achou que dada a informação presente é razoável fazer essa inferência. Este grupo corresponde à maioria da população.
Estes dois grupos, apesar de diferentes, influenciam a forma como o outro actua e a sua credibilidade. Se o grupo B achar que o custo de identificar erroneamente alguém como racista, fascista, ou outro termo for demasiado elevado, vai reduzir o uso dos chavões para indivíduos ou organizações que não quase não deixem dúvidas que são um desses termos.
Esta aversão ao falsos positivos é contraproducente para o grupo A. Quanto menos o grupo B usar os termos menos credibilidade têm as tentativas do grupo A de silenciar o discurso dos seus oponentes ao apelidá-los de fascista, racista, etc. (Se forem sempre os mesmos a gritar "Lobo!" a torto e a direito o resto da sociedade deixa de acreditar neles)
Isto significa que é do total interesse do grupo A manipular a percepção do grupo B dos potenciais custos/benefícios de usar o termo e também da probabilidade de erro.
Em Portugal as atitudes do Bloco de Esquerda e das pessoas simpatizantes com a sua ideologia estão totalmente alinhadas com o grupo A do texto que expus. Usam estes termos com uma frequência anormal, quer no parlamento como fora dele: em discursos, campanhas, manifestaçõe. Na grande maioria com uma clara vontade de silenciar o discurso dos seus oponentes políticos
Simultaneamente, ao longo das últimas décadas têm feito iniciativa atrás de iniciativa com o objectivo de normalizar na sociedade portuguesa o uso destes termos:
Este esforço de mudar a percepção da sociedade não foi combatido devidamente. Entre outros factores, o estigma do Estado Novo era alto quando este processo se iniciou fazendo com que o termo fascista tivesse uma carga emocional mais alta que noutros países (e mesmo hoje continua alta).
Dito isto, identificar os tais racistas e fascistas (evitar falsos negativos) é importantíssimo. A evidência histórica aponta que quando estes são deixados livres para se organizarem e promoverem as suas ideias as consequências sociais são devastadoras.
Impacto dos falsos positivos na política portuguesa
A situação actual é perigosíssima para a nossa democracia. A esquerda portuguesa conseguiu, em conivência com os sectores moderados da sociedade positiva, transformar acusações sérias numa forma fácil e eficaz de desligar o debate político. Entre os potenciais perigos vejo os seguintes como mais relevância:
A European Commission report in December noted that between 2015-2016, Portugal had a higher proportion of labor trafficking victims per one million of the population than any other European state barring Malta. In fact, the Commission found that an estimated 65 percent of human trafficking victims in Portugal fall victim to labor exploitation. https://www.infomigrants.net/en/post/15188/human-trafficking-on-the-rise-in-portugal
Existirão mais pontos negativos mas estes são dos mais preponderantes. Caso alguém tenho outros em mente, convido-o a partilhá-los nos comentários
Conclusão
Creio que à luz da situação actual devemos ter uma atitude não complacente com o perpetuar dos falsos positivos ao nível que temos visto. Se nós, o grupo B, se demarcar deste novo normal talvez ainda seja possível e os perigos que elenquei talvez possam ser evitados ou minimizados
O truque é encontrar o equilíbrio nos custos e benefícios. Ou seja: garantir que minimizamos o número de racistas e fascistas que passam desapercebidos, mas ao mesmo tempo evitar que isso exija um custo social excessivamente alto. Sacrificar 1 "homem bom" para identificar mais 1 fascista tem um custo benefício diferente que sacrificar 100 "homens bons" para identificar mais 1 fascista. Por outras palavras penso que temos de encontrar um ponto onde a sociedade conseguiu identificar a grande maioria dos extremistas mas não pôr em causa a democracia e a unidade nacional para conseguir reduzir em meia dúzia os falso negativos.
Pedia, como sempre faço, que quem comente o faça de forma educada, sem insultar outros utilizadores e com respeito para os demais.
submitted by aquele_inconveniente to portugal [link] [comments]

E se a queda do PT nao foi para acabar com a corrupcao mas sim para salvar os corruptos? E se o governo do PT foi o unico que realmente foi atras de prender corruptos?

Eu tenho que começar com a conclusão para as mentes binárias (que provavelmente só vão ler o título e fingir que leu o tópico): Eu nao acho o PT e nem o Lula inocentes e muito menos santos. Para mim eles são corruptos como os demais A questa eh que eu nao vejo nenhum outro governo cacando o PT e demais políticos, tal como fez o governo do PT. Isso estando claro....
Sabemos da história que o governo no PT foi o que esteve envolvido no maior escândalo de corrupção do país, e que por isso se buscou tirar o PT para acabar com a corrupção.
Mas e quanto a história de que no governo do PT muitos políticos de carreira e que desfrutam de uma certa celebridade popular e poder estavam prestes a serem presos por causa das investigações de corrupção, e que o impeachment da Dilma, que levaria o fim do governo petista, seria a única saída deles para acabar com tais investigações.
Sendo assim, será que o governo que investigou o próprio partido e permitiu que o próprio líder do partido fosse preso, não foi o único governo na história do Brasil que realmente estava começando a acabar com a corrupção? E assim sendo, será que o impeachment demais campanhas contra o PT não foram para acabar com a corrupção mas sim para salvar os corruptos e a corrupção?
Quais sao os argumentos contra e a favor a segunda versao da historia?
Eu tenho uma opinião muito impopular de querer a volta do PT. E isso nao eh pq eu ache o PT ou o Lula honestos, para mim eles são ladrões. Mas sim pq o Governo do PT foi o único que deu prova de que eles combatem a corrupção.
Por isso eu sou a favor da volta do PT no governo, de ver Lula preso de novo desta vez sem impeachment, para que mantenham as políticas de combate à corrupção e independência da polícia (ambos que se perdeu com a saída do PT do governo salvando muitos políticos de serem presos e mantendo eles atuando).

Segundo motivo: A regularização das mídias.

Conhecemos a história de que o PT buscou ter o controle das mídias [para instaurar uma ditadura].
Mas e quanto a história de que empresas tendo concessão de TV em todo território e o oligopólio dos meios de comunicação com revistas e jornais, ser inconstitucional?
A regularização dos meios de comunicação tinha como objetivo justamente acabar com tal oligopólio e influência de opinião de uma ou duas redes de TV no Brasil todo, dando assim mais espaço para muitos outras empresas e diferentes opiniões e posições entrassem no mercado midiático.
Eu mesmo acredito que o fato da família Roberto Marinho serem grandes latifundiários, eles tem um enorme interesse e consequentemente influencia na opinião popular no Brasil todo sobre questões econômicas, principalmente a do agronegócio e questões de distribuição de Terra.
Meu irmão hoje estava contando como que na Época do João Goulart o Brasil estava passando por seu momento mais próspero até então, mas que no entanto uma ditadura foi instaurada dando fim a tal prosperidade. E isso veio exatamente quando João Goulart buscou implantar uma Reforma Agrária para distribuição de terras. E a mídia teve um papel importante para tal questão ditatorial.
Eu suspeito que por motivos similares a mídia fez campanha para a queda da Dilma. Por mais que a Desindustrialização tenha sido forte durante o governo Lula, que surfou na economia voltada para exportações de commodities valorizadas, a Dilma mudou a política econômica que deixasse de beneficiar grande exportadores de commodities para tentar industrializar o país. E eu acredito que isso foi o pisão no pé nas famílias que dominam o agronegócio que que estão impregnados tanto na política quanto nos oligopólios dos meios de comunicação.
Lula diz que o maior arrependimento dele foi não ter implantado a regulamentação das mídias, mas eu suspeito dele não ter feito isso antes pq ele sabia que compraria uma briga feia e difícil (tal como a reforma política). Mas ainda assim, o PT parece ser o único governo que teve tal projeto e pauta pronta. E eu acho que novamente no governo daria prioridade a tais.

A questão do "governo de esquerda".

Eu não acho que o PT seja esquerda. Os esquerdistas saíram do partido logo no início do governo de Lula. E por isso eu penso que seja o único partido centrista que implementaria de volta tais combates a corrupção e quebra do oligopólio das mídias (e consequentemente a influência se uma família ou uma igreja na opinião de um país todo.
Fora isso, eu acho que o Brasil nunca terá outro jeito ou chance de realmente acabar com o antigo poder corrupto e egocêntrico que existe no Brasil, consequentemente nunca terá uma democracia e uma política econômica voltada para sua própria população. A não ser é claro os partidos revolucionários que obviamente ninguém quer, ainda mais por serem comunistas ou socialistas e não por serem revolucionários, pq ninguem deu a mínima quando votaram no Bolsonaro ou votaram nulo achando que tanto fazia, e que por isso hoje temos Bolsonaro e Mourão, dois apegados a governos autoritários e privilégios políticos (e das famílias que dominam a política).

Reforma Agrara (nao eh comunismo mas sim capitalismo).

Tal como João Goulart os barões do Agronegócio estavam bastante descontentes com a crescente redistribuição de terras no governo Dilma.
Eu sei que a opinião popular é que reforma agraria e comunismo. Mas o proto-capitalismo e capitalismo sempre se desenvolveram onde houve distribuição e redistribuição de terras (EUA, Oeste Europeu, Austrália, Canadá assim como os antigos impérios Gregos, Romanos, Chinês, etc).
Sabe o que é anti-capitalismo? Concentração de poder econômico e consequente político, tal como no Brasil e inúmeros outros paises da America Latina e mundo afora. E mesmo tal como União Soviética, Cuba, Coreia do norte em que o poder econômico e político é altamente concentrado na classe política, e não muito mudou no leste Europeu desde o fim da União Soviética, com os velhos poderes políticos ainda atuando.
Bolsonaro não é culpado pela crise econômica como também não a Dilma não foi culpada. A canetada da dilma apenas antecipou uma crise que já batia na porta, por causa da velha política econômica voltada para a exportação de commodities, desta vez perdendo valor no mercado e empobrecendo o Brasil e os brasileiros, por causa de algumas famílias influentes no espaço midiático e a mentalidade dos Brasileiros em todo o país. Mas a Dilma eu considero como alguem que buscou mudar tal politica rconomica e eu vejo isso como positivo.
Eu daria de tudo para ver os escândalos de corrupção da época do PT de volta. Era sinal de que alguma coisa estava sendo feita a respeito.
Mesmo que chamam de "comunismo", qualquer forma de desconcentração de poder econômico eu chamo de capitalismo, e desconcentração de poder político eu chamo de democracia.
Discordem, mas se discordar por causa de odio eu interpretarei como cegueira.
submitted by ThorDansLaCroix to brasilivre [link] [comments]

[2011] Domenico Losurdo - Uma análise crítica da relação entre liberalismo e democracia

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista2015_11_09_16_38_4563.pdf
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]

[2011] Domenico Losurdo - Crítica ao liberalismo, reconstrução do materialismo

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista19Entrevista.pdf
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]

As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quinquagésima Quinta Semana

Agressões. Das pequenas às grandes, a rotina das mulheres trans e travestis é por elas severamente vinculada. Verbais, físicas ou mesmo as implícitas, nossa vida constantemente se resume ao medo de sair de casa e à privação mandatória ou mesmo voluntária de acesso a certos espaços. A morte muitas vezes nos espreita na esquina apenas por sermos nós mesmas. Claro, homens trans e pessoas não-binárias também sofrem uma miríade de agressões em seu dia a dia. Contudo, não é a minha realidade para relatar e vou me restringir ao meu espaço de fala como travesti.
O recorte não é, entretanto, trivial. Há inúmeros outros privilégios em jogo que modulam a intensidade e a forma das agressões. A vida de uma mulher trans branca de classe média é completamente diferente da de uma travesti negra da periferia. As oportunidades e as privações. Todas as interseccionalidades importam, porém uma, a passabilidade, parece-me comum a todas nós. Ser passável é a diferença entre sofrer apenas com a misoginia enraizada em nossa sociedade falocêntrica ou também com a transfobia pura e descarada que rouba a vida de nossas irmãs diariamente.
Claro que os olhares sedentos pelo pedaço de carne que despretensiosamente exibimos apenas para provocar os homens incomodam. É deveras desconfortável ter cada curva do seu corpo cuidadosamente analisada por um completo estranho. Ainda mais quando se teme que ele encontre algo que denuncie a nossa natureza, porque daí o tesão pode dar lugar ao ódio e sabemos muito bem o rumo que um desencontro desses pode tomar.
Sair de casa, desde que transicionei, adquiriu mais e mais o formato de um ritual. Não me sinto segura ou à vontade para frequentar qualquer ambiente. Tenho que escolher mais cuidadosamente a minha apresentação: da roupa à maquiagem. Não por mera vaidade e sim, segurança. Atentar a forma de andar, gesticular e falar: a tonalidade e a postura de voz importam. Tudo isso, não apenas para evitar o desconforto ocasionado por ser lida e tratada no masculino por estranhos, mas sobretudo pelo medo do que essa leitura incongruente possa causar.
Mesmo os espaços notadamente seguros para mulheres nos são paulatinamente negados. Seja por pressão implícita, os olhares denunciam, ou por afirmações descaradas, muitas de nós não se sentem à vontade para frequentarem banheiros femininos. Ora, sair de casa vinculada pelo tamanho de sua bexiga restringe muito o que podemos fazer no nosso dia a dia. Afinal, entrar num banheiro masculino está fora de cogitação. Coisas simples como marcar uma ultrassonografia de suas glândulas pode ser um tremendo desafio ou no mínimo uma situação deveras constrangedora, porque os sistemas médicos não supõe que uma mulher possa ter além das mamas, próstata e testículos.
Talvez, no entanto, a maior privação que sofremos é com o afeto. Não apenas somos muitas vezes abandonadas pela família e amigos, mas o amor torna-se uma utopia. A inamabilidade de corpos transfemininos é uma realidade: para a grande maioria dos homens somos apenas um fetiche torpe. Aquele que deve ser escondido a todo custo. Isso quando um desses encontros não termina em morte. Fingidoras ou enganadoras. Mesmo com as mulheres a situação não é muito melhor. Muitas nos consideram apenas estupradoras ou invasoras.
Sou deveras fortuita nesse aspecto. Não apenas minha esposa apoiou minha transição, como nosso relacionamento melhorou significativamente. Infelizmente, um caso raro de sucesso. Poucas foram as histórias que ouvi de relacionamentos que sobreviveram à transição de uma das partes. As dificuldades não se restringem às inerentes à transição e à adaptação ao relacionamento com uma pessoa do gênero oposto ao acordado inicialmente. A transfobia espirra violentamente em nossos parceiros e muitos não estão preparados ou simplesmente dispostos a enfrentá-la. Não se trata somente do preconceito por estar, no caso da minha esposa, num relacionamento homossexual. Há todo o peso de estar num relacionamento com uma mulher abertamente trans, uma travesti. Família e amigos deixaram de falar com ela. Oportunidades profissionais foram negadas quando descobriram de seu relacionamento comigo.
Mulheres trans e travestis têm a sua vida vinculada em diversas escalas de transfobia. Não bastasse a óbvia violência a que somos submetidas, há também as microagressões diárias: ao sermos tratadas no masculino ou termos nossos relacionamentos podados. Essas não matam nossos corpos, mas aos poucos envenenam nossas almas, tirando as cores que a transição aos poucos devolve a nossas vidas. Muito se discute sobre suas formas mais explícitas. Claro, são elas que nos assassinam diariamente. Contudo, do que adianta estar viva, se não temos qualidade de vida? Quando nossos relacionamentos são escondidos não apenas por vergonha, mas medo de represálias. Queremos viver, amar e sobretudo sermos amadas.
Uma excelente semana a todes!!!
Beijocas,
Gabi
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Esvaziar e libertar a mente do pessoal e quebrar o conceito de oposição de classe é o profundo significado do zen.

Portanto, na história da China, é possível quebrar a oposição de classe de acordo com o esforço do pessoal. É por isso que é possível que o povo chinês esvazie e liberte a mente do pessoal e quebre o conceito de oposição de classe.
Em uma palavra, se houver um pensamento de oposição binária, é impossível para nós o profundo significado do zen. Ao comparar as diferentes culturas entre a Índia e a China, entendemos por que o Zen pode ser desenvolvido e florescido na história da China, mas não na Índia.
Consulte Mais informação...…
https://po-bvlwu.blogspot.com/2020/02/por-que-o-zen-pode-ser-desenvolvido-e.html
English: Why Zen can be developed and flourished well in the history of China, but not in India?
submitted by TaoQingHsu to u/TaoQingHsu [link] [comments]

Afrodite e os clichês da representação transfeminina na mídia

Há alguns dias, a Shell lançou uma nova campanha publicitária para sua marca Rímula, de lubrificantes para caminhões. A série, chamada De Causo em Causo, fala em "histórias inusitadas e inspiradoras de caminhoneiros para mostrar que suas vidas vão muito além das estradas". E o primeiro filme traz uma mulher trans: Afrodite, que é caminhoneira, tem 70 anos, e três de transição.
++ https://www.youtube.com/watch?v=uCLwdjiEgD4
Que fique muito claro já de saída: é absolutamente louvável a atitude da Shell. Num momento político onde campanhas que retratam diversidade são censuradas, insistir em pautas de apoio LGBT+ é ainda mais importante. E essa é uma marca que atua em segmentos bastante sexistas, o que demonstra coragem e compromisso extra. Então, nesse sentido, parabéns ao marketing da Shell e à Wunderman, que assina a criação do filme.
Dito isso, o comercial é um arquétipo dos clichês sobre mulheres trans mais batidos possíveis, e de mau gosto, repetidos pelo jornalismo e pela publicidade. Podemos analisar decupando a peça:
1 - De cara, na cena de abertura: o documento masculino. Salta aos olhos a foto de um senhor grisalho, de nome Heraldo. No áudio, uma voz em off pergunta o nome da pessoa, e a resposta vem incongruente: "Afrodite". O artifício é absolutamente comum nas mais diversas representações sobre pessoas trans: demonstrar a imagem e o nome antigos. O efeito é, no mínimo, dúbio; e isso se traduz no que a filósofa Talia Bettcher descreve como um sistema de contraste entre aparência e realidade, usado para deslegitimar pessoas trans: enquanto a voz diz um nome feminino, o documento oficial afirma o contrário. A voz diz "mulher", mas a imagem diz "na verdade eu sou um homem". Embora o filme como um todo acabe apoiando a autodeterminação de gênero, quando colocado dessa forma, contradiz a importância e o efeito desse conceito; para o olhar preconceituoso, a resposta falada é mera aparência, enquanto o documento oficial é a realidade.
A bióloga e ativista trans Julia Serano também ressalta os efeitos desse tipo de cena: mostrar o nome e as fotos antigas permite ao público cissexista continuar privilegiando o sexo designado ao invés da identidade de gênero inata. De forma bastante cômoda, a cena permite à matéria ou comercial parecerem, de um lado, inclusivos; e de outro, confirmam aos anti-LGBT+ que as identidades trans são apenas "da boca pra fora".
2 - A câmera abre para revelar o rosto de Afrodite. Embora na minha opinião ela seja linda e aparente ser muito mais jovem do que é, a sombra de barba e a maquiagem pesada reforçam um imaginário onde uma pessoa trans é necessariamente o encontro entre dois gêneros; uma soma em que o resultado é um terceiro gênero distinto. Pode ser o caso para algumas identidades não-binárias, mas para outros, não. Ora, a qualidade da produção não deixa dúvidas de que a Wunderman poderia ter disponibilizado uma maquiadora para Afrodite, que teria lhe deixado mais natural e escondido a sombra dos pêlos faciais. (Que não se confunda respeito com hegemonia; nada errado em ter sombra de barba, ou barba, ou a configuração que houver. Mas num filme que retrata a vaidade e a feminilidade de uma mulher trans binária, se trata de cortesia.)
3 - Vemos objetos estereotipicamente associados à feminilidade, como um colar, esmalte, maquiagens. Afrodite pega um batom e o aplica usando o espelho do caminhão. Esse é outro clichê cansado da mulher trans na mídia: sempre há a cena do maquiar diante do espelho. Sem saber como retratar o feminino, publicidade e jornalismo buscam com essa cena recorrente continuar o enfoque na transformação sensacionalista: a história de alguém cruzando do ponto A para o B, realizando uma mudança considerada anormal, talvez chocante, às vezes quase impossível; um chamariz de audiência, que Serano compara aos reality shows de perda de peso, ou que mostram cirurgias estéticas, ou mudanças radicais de estilo. Basta olhar para a grade de programação de qualquer canal de TV a cabo que exiba reality shows: transformação improvável/impossível é um estilo que fetichiza o esforço de um terceiro que se dispõe a compartilhar uma metamorfose que, às vezes, é muito dolorida.
Além disso, Serano também aponta que a cena-clichê objetifica o corpo trans e reforça a feminilidade como algo construído; e mais, como algo artificial, aplicado sobre, uma frivolidade. Dessa forma, a mídia "neutraliza a ameaça potencial que as feminilidades trans impõem à categoria 'mulher'". Nas matérias e comerciais, a cena da mulher trans se maquiando é a cena onde se estabelece a mudança: a sequência entre a foto de Afrodite na CNH, e ela passando batom e rímel; mais uma vez o contraste realidade-aparência apontado por Bettcher. Não basta ser, é preciso "vestir" a identidade diante da câmera, como algo que se remove no banho, no apagar das luzes, no final do comercial. A noção do feminino como um construto, ou performance, vem sendo criticada desde o final dos anos 90 por acadêmicos dos trans studies como Prosser, Halberstam, Namaste, Whittle e muitos outros.
4 - Afrodite fala do seu passado e as profissões que teve, enquanto vemos fotos dela como homem. Corta para ela mexendo no seu caminhão. De todos os causos que uma caminhoneira de 70 anos deve ter, a criação da Wunderman selecionou uma passagem em que ela conta que teve uma malharia, e, com sua voz masculina, diz que "fabricou suas próprias calcinhas e bustiês". Mais uma vez o aspecto sensacionalista da transformação, da construção da feminilidade como artificial e frívola, fica escarrado.
5 - Vemos Afrodite caminhando de costas, falando ao telefone com a filha. A câmera foca nos saltos: altíssimos. Uma bela sandália, mas duvido que ela dirija seu caminhão neles. É compreensível que, diante do prospecto de aparecer num filme comercial, Afrodite queira estar bonita. Mas não se pode ignorar que, para um grupo que precisa constantemente se defender das acusações de fetichismo e autoginefilia, a direção de cena, que mostra em sequência CNH masculina, aplicação de maquiagem, fotos do passado, e salto alto, faz pouco além de continuar os mesmos clichês de construção artificial do feminino.
Na narração, Afrodite diz que se sentiu muito realizada ao ser pai, pois se identificou muito com sua filha. O filme fornece munição a terfs e radfems: a realização humana do pai como projeção de seu gênero na filha. Em que pese a escolha por esse causo mostre um momento importante de sua história, chama a atenção que o texto selecionado seja esse viver através do outro.
6 - Alternam-se imagens do rosto de Afrodite e de uma filmagem do passado, onde, como homem, pescava num barco. A narração fala de quando seu gênero incongruente morre, e nasce o congruente. O contraste entre as personas segue reforçando o aspecto sensacionalista da transformação. Afrodite diz que desde que nasceu, "nunca mais colocou nenhuma roupa masculina"; é a continuação do foco na roupa, na maquiagem, no saltão -- que aparece mais uma vez em close, quando ela entra em um bar. Muito certa está ela em se orgulhar de ter se livrado dos códigos de vestuário opostos, mas no contexto do comercial, sua identidade acaba reduzida a uma questão de guarda-roupa.
7 - Afrodite ajeita o colar, enquanto diz que não é um caminhoneiro que virou caminhoneira, mas que estava presa num corpo de homem. Aqui é onde a produção enfim se revela cruel: embora ela deixe claro como vê sua transição, o filme mostra exatamente o oposto -- como sua identidade foi construída com batom, rímel, salto exagerado, colar, menção à calcinhas, e projeção na filha. No 1'20 do filme, nenhuma cena faz juz à declaração final de Afrodite.
Poderia ainda criticar a escolha por destacar na edição de áudio a narrativa de corpo errado, que é hegemônica e por isso responsável por muita confusão e anos perdidos por pessoas trans que, ao questionar, não tem a mesma experiência e por isso duvidam serem trans. Mas como é a experiência dessa mulher, que se respeite.
8 - Ao final, Afrodite diz que venceu muitos preconceitos, e hoje é muito feliz. E eu fico feliz por ela, e que os criativos tenham terminado com uma mensagem impactante; clichê que seja, nada é mais forte (e incômodo, para alguns) que a felicidade alheia.
Não se trata aqui de condenar a Wunderman ou a Shell pela forma como utilizaram a imagem de uma pessoa trans pra vender lubrificante de caminhão. Nesse momento, apoio à diversidade é essencial e se traduz em incentivos éticos poderosos; e seja como for, mostrar a história de uma caminhoneira trans que transiciona aos 67 tem efeitos decididamente positivos. Mas já passou a hora da publicidade e o jornalismo repensarem a maneira de retratar as histórias de mulheres trans. É preciso mais atenção à multiplicidade de narrativas; mais respeito aos testemunhos destas pessoas; mais decoro na demonstração dessas trajetórias; mais dignidade e contemporaneidade ao retratar o feminino.
Referências:
BETTCHER, Talia. Appearance, reality and gender deception. In: MURCHADHA, Felix (ed.). Violence, victims, and justifications. New York: Peter Lang Press, 2006. p. 174-200.
BETTCHER, Talia. Trapped in the Wrong Theory: Rethinking Trans Oppression and Resistance. ​Signs, Journal of Women in Culture and Society. Chicago, v. 39, n. 2, 2014.
HALBERSTAM, Jack. Trans: a quick and quirky account of gender variability. Oakland: University of California Press, 2018.
SERANO, Julia. ​Whipping Girl: A Transsexual Woman on Sexism and the Scapegoating of Femininity. 2 ed. Nova Iorque: Basic Books, 2016. Edição do Kindle.
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A Bíblia só veio a existir por causa de vácuos de poder temporários na região do Levante

A nação que deu origem à Bíblia e ao judaísmo (antigos Israel e Judá), que serviu de base para o cristianismo e o islamismo, deveu suas existências a períodos anormais de "calmaria" e vácuos de poder na região onde existiram.
Assim como os cosmólogos atribuem a existência da vida na Terra a períodos anormais de calmaria cósmica, com nosso sistema solar trafegando por regiões limpas e tranquilas da galáxia e do cosmos, podemos atribuir o surgimento da Bíblia e de toda a tradição javista e judaica, com seu estranho monoteísmo, seu conservadorismo moral exagerado e incomum e seu favorecimento ideológico de pobres, humildes e fracos, a períodos de vácuos de poder no Levante que permitiram o surgimento de pequenos reinos.
Antes daquela região virar Israel, até mais ou menos 1200, ela era dominada pelo Egito (Novo Império). Ali existiam várias cidade-estados canaanitas vassalas do Egito, que estendeu seu domínio até o Rio Eufrates pra deixar sua fronteira oriental mais segura (trauma da invasão dos hicsos), e também pra criar um tampão entre o Egito e o Império Hitita, seu principal rival.
Após 1200, toda a região do Levante, Fenícia e Egito foi alvo de uma série de invasões pelos chamados "povos do mar", que causaram tanta destruição que desmantelaram todos os pequenos estados, destruíram cidades, deram fim no comércio e forçaram a uma ruralização maior da região. O Egito enfraqueceu para nunca mais se recuperar.
Na esteira da devastação dos povos do mar, os habitantes pastores das montanhas do Levante dominaram todo o território, subjugaram o que sobrou dos canaanitas das planícies e criaram mais tarde os reinos de Israel e Judá. Outros reinos pequenos surgiram também na mesma época, como Moabe, Edom, Amom, Aram-Damasco (Síria) e a Pentápolis Filistéia (remanescente dos povos do mar).
Os reinos de Israel e Judá cresceram, prosperaram com o comércio (região altamente estratégica), criaram cortes, colocaram suas tradições orais em forma escrita, fundaram templos e palácios. Tudo parecia ir bem até que o adormecido povo Assírio ressurgiu e recomeçou sua expansão, já nos anos 700 a.C. Os assírios engoliram todos esses pequenos reinos, anexando-os a seu império, trocando as populações de lugar e espalhando o terror. A política desses pequenos reinos passou a ser uma simples decisão binária: se submeter pacificamente aos assírios, pagando tributos, evitando ser devastado e deportado, e se aproveitando da Pax Assíria pra prosperar com o comércio, ou arriscar tudo em rebeliões, evitando pagar tributos mas estando sujeito a ser devastado e deportado.
Os reis de Israel e Judá alternavam-se nessas políticas. Alguns reis mais sensatos se submetiam voluntariamente (a maioria deles), mas vez ou outra algum rei insensato (como o rei Ezequias), com a cabeça cheia de fanatismo religioso, se arriscava a se rebelar, recebia uma expedição punitiva assíria, o povo se fudia, os grupos anti-assírios perdiam força e reis pró-submissão apareciam, e ficava nesse ciclo.
O reino de Israel, maior e mais rico, nunca aceitou de bom grado se submeter à Assíria. Sempre participou de alianças militares (como na batalha de Qarqar). Mas a Assíria prevaleceu, conquistou os arredores e enfim, em 722, conquistou Samaria e deu fim no Reino de Israel. O reino de Judá, por ser mais fraco, pobre e isolado, aceitou mais facilmente se submeter pacificamente à Assíria, por isso durou mais tempo.
Mas a destruição do Reino de Israel e a sobrevivência do Reino de Judá trouxe consequências cruciais para a criação do javismo, deuteronomismo e da Bíblia:
Surgiu então a idéia da "aliança" entre Javé e o povo hebreu. Essa ideologia afirmava que no passado mítico, os hebreus haviam sido escolhidos por Javé pra serem o seu povo e pra prestarem culto, ofertas e sacrifícios apenas a Javé e a nenhum outro deus (Baal, Astarot, Moloch, Azazel, etc). Em troca, Javé protegeria o povo hebreu contra seus inimigos. Os hebreus do norte teriam descumprido sua parte no acordo, adorando outros deuses, por isso foram devastados e deportados pelos assírios. Os judaicos, ao contrário, haviam cumprido sua parte, por isso sobreviviam, e deveriam continuar cumprindo pra continuarem em segurança. Essa ideologia começou a ganhar adeptos e é a origem de toda a linha de argumentação e teologia que chegou até nós nos textos do Velho Testamento. O culto exclusivo a Javé era do interesse dos sacerdotes, pois aumentaria a quantidade de ofertas recebidas.
Essa ideologia ganhou adeptos. É bom ressaltar que Javé sempre foi o deus nacional de Judá e que todos os reis eram devotos dele. Mas esse exclusivismo doentio não existia antes, foi criado depois. Os reis judaicos costumavam tolerar e praticar o "sincretismo", que era a forma popular de culto.
Pois bem, Ezequias foi o primeiro rei judaico a aderir a esse exclusivismo javista. Os sacerdotes e profetas javistas fizeram a sua cabeça, convenceram-no de que Javé os protegeria dos assírios se ele pusesse em prática esse exclusivismo religioso. Ezequias então iniciou um expurgo pesado contra todos os cultos não-javistas. Após pôr em prática esse expurgo, acreditando estar agora "imune", parou de pagar tributos e se rebelou contra a Assíria. A resposta não tardou. Os assírios atacaram e devastaram toda a região, reduziram Judá a uma pequena área e puseram jerusalém sob cerco, Só não conseguiram completar porque tiveram que se retirar pra resolverem revoltas em outras partes do império, mas Ezequias se rendeu e pagou tributo aumentado, com um território menor.
Aqui o relato dos assírios sobre a campanha contra Judá, preservado nas ruínas de Nínive:
"Quanto a Ezequias, o judaico, ele não se submeteu ao meu jugo. Eu montei cerco em 46 de suas cidades fortificadas e em incontáveis pequenas aldeias; a tudo conquistei usando rampas de acesso que nos colocaram perto das muralhas (...). Eu expulsei 200.150 pessoas, jovens e velhos, homens e mulheres, cavalos, mulas, jumentos, camelos, gado grande e pequeno além da conta, e a tudo considerei como pilhagem de guerra. Ele mesmo eu o fiz prisioneiro em Jerusalém, na sua residência real, como um pássaro numa gaiola. (...) Suas cidades que eu saqueei, eu as tomei de seu país e as dei todas a Motinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Eglon, e a Sillibel, rei de Gaza. Dessa maneira, eu reduzi seu país, mas ainda aumentei meu tributo".
O javismo perdeu força. Os sucessores de Ezequias voltaram a pagar tributos e a serem sincréticos (para a fúria do escritor deuteronomista bíblico). Armaram o assassinato do neto de Ezequias (Amon), colocaram seu filho de 8 anos (Josias) no trono, fizeram uma lavagem cerebral plena e completa nele, fazendo dele o rei judaico que tentou com mais afinco forçar o culto exclusivista a Javé.
No reino de Josias, a maior parte dos escritos que chegaram até nós foram feitos (história deuteronomista). Os sacerdotes forjaram um "livro da lei", disseram que estava perdido no templo desde a época mítica, e Josias acreditou (ou ele próprio pode ter participado da forja). A maioria dos costumes religiosos judaicos foram inventados por essa casta de sacerdotes, que escreveram textos e mais textos detalhando rituais de "pureza", de sacrifício, de santidade, etc Esses textos formam o core do Pentateuco. Por causa disso (clérigos escrevendo leis de pureza), a religião judaica se tornou a mais moralmente conservadora religião conhecida, e o cristianismo e islamismo herdaram esse conservadorismo e anti-sexualismo extremos, bem diferente dos demais povos pagãos.
Pra completar, bem durante o reinado de Josias, uma coalizão formada pelos medos, babilônios e elamitas derrotou os assírios e destruiu Nínive (612 a.C). Isso pareceu um cumprimento espetacular por parte de Javé de sua promessa de proteger Judá, em resposta ao zelo de Josias pela pureza e exclusivismo religiosos. Aí os javistas se empolgaram!
A queda da Assíria deixou um vácuo de poder no norte, e agora Josias ambicionava anexar essas terras ao seu reino, formando um mítico Reino de Israel Unido. Para dar apoio moral a essa empreitada, foram escritos o Livro de Josué (que descreve uma mítica conquista de Canaã por um povo hebreu unido, sem sofrer nenhuma derrota exceto quando pecavam, liderados por um homem quase xará de Josias, Josué). A história deuteronomista embelezou e exagerou as qualidades dos reinos de Davi e Salomão, fazendo-os parecer maiores e melhores do que foram na realidade. Ao mesmo tempo a história deuteronomista tratou de denegrir a imagem dos reis amrides (Onri, Acabe e seus filhos), que a arqueologia mostra ter sido os reis mais poderosos e bem sucedidos de Israel, mas que eram sincretistas, e de apagar a grandeza de Jeroboão II (o rei de Israel que mais estendeu a fronteira). Acrescentaram uma suposta promessa de Javé a Davi de que sua dinastia duraria "para sempre", e etc.
Mas quando tudo tava pronto e escrito, o Faraó Neco subiu para tentar bloquear o avanço dos babilônios contra o que restou dos assírios. Josias tentou se meter e acabou morto. Não se sabe se Josias tentou enfrentar o faraó em batalha (improvável) ou se o faraó foi "tomar posse" da região deixada pelos assírios, convocou os reis locais para prestarem juramento de vassalagem, achou Josias não confiável e o eliminou.
De qualquer forma, esse pequeno intervalo de vácuo de poder possibilitou a criação de toda uma mitologia, teologia, moral e literatura javista que foi preservada e chegou até nós através da Bíblia influenciando todo o Ocidente.
TL:DR; Os vácuos de poder no Levante criaram uma dinâmica política. Essa dinâmica, em algum momento, foi interpretada como sendo a vontade e as ações de um deus (Javé), criando todo um movimento, literatura, moral e teologia que chegaram até nós e moldaram nossa sociedade.
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